Ele tentou fazer escolhas boas
depois de anos difíceis, aceitou a derrota como forma de amenizar a dor, depois
de muito brigar a dor já não entrava pela janela, entrava sempre pela porta da
frente, sentava à beira da cama e seu alvo sentava de costa e estudava como
forma de preencher um vazio imaginável. O passado morava ao lado, era
impossível sair de casa e passado não o acompanhar, andavam pelo mesmo caminho,
pegavam o mesmo ônibus, faziam a mesma rotina e isso não era bom.
Os anos
passando a ideia macabra começou a surgir. A amizade feita com a dor foi dando
espaço a um plano mirabolante, enterrar o passado vivo e assim os dois viraram
cúmplices, o passado foi enterrado e ele ficou de luto por muito tempo. A dor
já era amiga de café, sempre aparecia e ia embora até que um dia não voltou
mais e mandou um tal de amor no lugar!
Ele não reconheceu aquilo de
imediato, tampouco tentou fazer algo a respeito, acolheu aquele intruso sem
saber do que se tratava, era só mais algum intruso querendo entrar na sua vida.
O amor, ele intruso, observava os passos do amigo da dor, aquilo incomodava e o
deixa sem falar, viraram amigos. Ele não desejava outras amizades, não queria
mais ninguém, nem a solidão estava presente na sua vida.
Ela já sabia o que lhe
importava, sabia quem eram os seus e mesmo com os arrependimentos aprenderá a
viver com mais harmonia, com mais segurança e serenidade, a vida mesmo tentando
torna duro seu coração apenas mostrou que precisava ser preenchido, talvez a
dor percebesse isso e mandou o tal do amor no lugar.
Ao descobrir do que se tratava ficou com medo, medo de sentir dor, medo de tentar fazer com ela, porque sabia que aquilo seria diferente e realmente era. Pela primeira vez depois de muito reconheceu que era amor e mais uma vez estava disposto a entregar seu coração, quebrada e remendado depois de ser deixado aos cacos.
Trocaram músicas, sorrisos e beijos, ele já não tinha mais nada com o
passado, tudo estava morto, dando espaço para uma história. Ele já estava feliz
com aquele sorriso, com aquele olhar sereno e aquele beijo doce. Se um dia
houver dor, ela será bem-vinda, pois aprender a lidar com ela é coisa de tempo,
é coisa de amadurecimento. E mais uma
vez não importaria de matar o passado, mas este que estar a construir parece
tão lindo que parte o coração imaginar enterrá-lo vivo naquele lugar cheio de
escuridão.
Kahlil Gibran já diria mais ou menos assim: é necessário que a dor cave fundo em meu coração para que neste buraco eu possa conter a felicidade.
ResponderExcluirEmbora seus textos não tenham nenhum rebuscamento estético, são belos a seu modo porque trazem o conteúdo "cru" de seus sentimentos, e isso é muito interessante e bonito, esse ato de colocar no papel independente do que possam pensar. Parabéns!
Obrigado por compartilhar.
Abraços!
😮😢 que texto mais lindo. É bom saber que mesmo que a dor nos acompanhe, há esperança que o amor um dia nos encontrará.
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