segunda-feira, 25 de julho de 2016

O passado, o amor e a dor.



Ele tentou fazer escolhas boas depois de anos difíceis, aceitou a derrota como forma de amenizar a dor, depois de muito brigar a dor já não entrava pela janela, entrava sempre pela porta da frente, sentava à beira da cama e seu alvo sentava de costa e estudava como forma de preencher um vazio imaginável. O passado morava ao lado, era impossível sair de casa e passado não o acompanhar, andavam pelo mesmo caminho, pegavam o mesmo ônibus, faziam a mesma rotina e isso não era bom. 

Os anos passando a ideia macabra começou a surgir. A amizade feita com a dor foi dando espaço a um plano mirabolante, enterrar o passado vivo e assim os dois viraram cúmplices, o passado foi enterrado e ele ficou de luto por muito tempo. A dor já era amiga de café, sempre aparecia e ia embora até que um dia não voltou mais e mandou um tal de amor no lugar!

Ele não reconheceu aquilo de imediato, tampouco tentou fazer algo a respeito, acolheu aquele intruso sem saber do que se tratava, era só mais algum intruso querendo entrar na sua vida. O amor, ele intruso, observava os passos do amigo da dor, aquilo incomodava e o deixa sem falar, viraram amigos. Ele não desejava outras amizades, não queria mais ninguém, nem a solidão estava presente na sua vida. 

Ela já sabia o que lhe importava, sabia quem eram os seus e mesmo com os arrependimentos aprenderá a viver com mais harmonia, com mais segurança e serenidade, a vida mesmo tentando torna duro seu coração apenas mostrou que precisava ser preenchido, talvez a dor percebesse isso e mandou o tal do amor no lugar.

Ao descobrir do que se tratava ficou com medo, medo de sentir dor, medo de tentar fazer com ela, porque sabia que aquilo seria diferente e realmente era. Pela primeira vez depois de muito reconheceu que era amor e mais uma vez estava disposto a entregar seu coração, quebrada e remendado depois de ser deixado aos cacos. 

 Trocaram músicas, sorrisos e beijos, ele já não tinha mais nada com o passado, tudo estava morto, dando espaço para uma história. Ele já estava feliz com aquele sorriso, com aquele olhar sereno e aquele beijo doce. Se um dia houver dor, ela será bem-vinda, pois aprender a lidar com ela é coisa de tempo, é coisa de amadurecimento.  E mais uma vez não importaria de matar o passado, mas este que estar a construir parece tão lindo que parte o coração imaginar enterrá-lo vivo naquele lugar cheio de escuridão. 

2 comentários:

  1. Kahlil Gibran já diria mais ou menos assim: é necessário que a dor cave fundo em meu coração para que neste buraco eu possa conter a felicidade.

    Embora seus textos não tenham nenhum rebuscamento estético, são belos a seu modo porque trazem o conteúdo "cru" de seus sentimentos, e isso é muito interessante e bonito, esse ato de colocar no papel independente do que possam pensar. Parabéns!

    Obrigado por compartilhar.

    Abraços!

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  2. 😮😢 que texto mais lindo. É bom saber que mesmo que a dor nos acompanhe, há esperança que o amor um dia nos encontrará.

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